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Beata Alexandrina: SÓ A EUCARISTIA



Em Abril de 1937, a Alexandrina passou 17 dias sem comer nem beber. Apenas comungava sempre que podia. Mas, foi a partir do dia 27 de Março de 1942, sexta-feira santa, e precisamente no ano em que perdeu o seu director espiritual, que a Alexandrina começou o seu jejum total. A partir desse dia da Semana Santa, depois de ter sentido os sofrimentos da paixão de Jesus no seu corpo, passou a alimentar-se unicamente com o pão da Eucaristia. Foram 13 anos e 7 meses.


Tentaram várias vezes que ela ingerisse alimentos, mas em vão. Escreveu as palavras que Jesus lhe disse ao coração: «Não te voltarás a alimentar nesta terra. O teu alimento é a minha carne».


Este facto não o único na história da Igreja. Santa Ângela de Foligno viveu sem se alimentar, senão do pão eucarística, durante 12 anos e Santa Catarina de Sena, durante 8 anos. Na Alexandrina, a abstinência total de comidas e de bebidas, e sem un'nar, durou 13 anos e 7 meses.


Ela sentia fome e sede mas, se lhe davam nem que fosse um copo de água, deitava tudo fora. Apesar disso, tinha forças para rezar, cantar, falar com as muitas pessoas que a visitavam.


A partir do momento em que passou a viver só da Eucaristia, continuou a viver a paixão todas as sextas-feiras, mas sem os sinais exteriores de anteriormente.


A notícia espalhou-se rapidamente. Havia quem dissesse que ali havia algum truque. Os boatos de incredulidade chegaram aos seus ouvidos e ela desabafou: «Os homens tornam triste e pesada a minha vida sobre a terra».


Averiguações médicas O Dr. Azevedo começou por estranhar este jejum absoluto. Falou com o arcebispo de Braga e este mandou que uma junta médica observasse as faculdades mentais da doente. A primeira consulta realizou-se a 27 de Maio de 1943, com a presença de três médicos.


Não chegaram a conclusões e quiseram que fossem consultados outros médicos e que a paciente fosse submetida a um controlo atento e prolongado numa clínica.


A Alexandrina aceitou com a condição de receber todos os dias a Comunhão, estar presente a sua irmã e não ter visitas.


Um dia, partiu com grande sofrimento para uma clínica na Foz do Douro, no Porto. Ficou sob rigorosa vigilância médica durante 30 dias. Duas pessoas estavam encarregadas de vigiar a doente dia e noite. Na primeira noite, Deolinda dispôs-se a assistir a irmã, juntamente com as vigilantes.


O médico impôs: «Só esta noite e nunca mais!» Isto era contra o que tinha sido combinado, mas ela obedeceu. O Dr. Azevedo, médico amigo, visitou-a algumas vezes e quis verificar também se a Alexandrina se mantinha em jejum total, sem ingerir alimentos ou medicamentos.


Também recebeu a visita da mãe. A Alexandrina procurou ocultar o seu sofrimento sorrindo e brincando. Mas esses dias eram feitos de humilhações e pesadelos.


Terminados os trinta dias, um dos médicos achou que as vigilantes não a tinham vigiado suficientemente e exigiu mais dez dias de internamento. A Deolinda protestou, mas em vão. Na hora da partida para casa, centenas de pessoas conhecedoras do caso da doente que «vivia só da Comunhão» quiseram saudá-la.


Os médicos redigiram um relatório pormenorizado com a seguinte conclusão: «A ciência não pode explicar com causas naturais o que resultou dos exames».


FERREIRA, Pedrosa"Alexandrina nos Caminhos do Crucificado", Porto: Edições Salesianas