CONHEÇA O PERIGO DA APOSTASIA - QUEM E QUANDO...


Detalhe de Fallen Angel, de Alexandre Cabanel (1868)

O Catecismo da Igreja (1992) define a apostasia como “o repúdio total da fé cristã”. E não é qualquer repúdio, ou qualquer pessoa a repudiar para considerarmos um flagrante caso de apostasia. Um repudio a fé só pode ser considerado apostasia quando feito por alguém que foi cristão e que o faz com a consciência de afrontar a fé. S. Pedro, ao falar desta espécie de corruptela espiritual assim dizia: “Se depois de fugir às imundícies do mundo pelo conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, e de novo seduzidos se deixam vencer por elas, o último estado se torna pior do que o primeiro. Assim, lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça do que, após tê-lo conhecido, desviarem-se do santo mandamento que lhes foi confiado” (II Pedro 2, 20-21)


Ao percorrer as páginas biográficas da maioria dos inimigos da Igreja, nos deparamos com alguns momentos de suas vidas onde a fé era vivida com fervor. Assim o foram Marx, Nietzsche, Lutero, Henrique VIII, boa parte dos padres pedófilos e outros criminosos. 


O sórdido Henrique VIII, antes de apostatar, fora intrépido defensor da fé católica e do Papado, chegando inclusive a receber a insigne honraria de Defensor Fidei (Defensor da Fé) do Papa Leão V por conta de sua arguta defesa dos sete sacramentos contra as insinuações de Lutero em uma obra intitulada Assertio septem sacramentorum. Alguns anos depois, o monarca tornava-se o cruel perseguidor da Igreja e do Papado. O mesmo ocorrera com Robespierre, que narra-se que na adolescência fora fervoroso católico, e até considerou entrar para o seminário. O suprassumo do revolucionarismo moderno, Karl Marx na infância, fora cristão tão devoto que chegara a escrever um livro com conselhos de boa vivência cristã intitulado: “sobre a união dos fiéis com Cristo” Também se encontra uma fase de devoção cristã na vida de Nietzsche e Simone de Beauvoir. Esta última tinha a “Imitação de Cristo” como livro de cabeceira e teria desejado entrar para a vida religiosa.


Mas o que fizera estes homens e mulheres, de admirável devoção cristã, tornarem-se implacáveis inimigos da fé e da Igreja? A apostasia, é o nome que damos à esta reviravolta. Estes homens e mulheres esmoreceram em certo momento de suas vidas, e o pecado entrou em seus corações, lá deitando raízes profundas, e assim, cumprir-se em suas vidas o que advertira Nosso Senhor: "Quando um espírito impuro sai de um homem, passa por lugares áridos procurando descanso. Como não o encontra, diz: ‘voltarei para a casa de onde saí’, Chegando, encontra a casa desocupada, varrida e em ordem. Então vai e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele, e entrando, passam a viver ali. E o estado final daquele homem, torna-se pior do que o primeiro. Assim acontecerá a esta geração perversa” (Mateus 12, 43-45) Nosso Senhor, diz que “o lugar estava desocupado”’, querendo dizer que, após nos libertarmos de um mal, devemos ocupar o seu lugar com o bem, do contrário, o mal voltará a se apossar daquele espaço, e de uma forma ainda mais intensa que da primeira. Por esta razão, Dificilmente um apostata volta atrás em seu caminho de desordens.


Mas há casos em que as razões da apostasia não foi exatamente um descuido na vida espiritual, mas uma revolta profunda a Igreja em face do mau exemplo de seus representantes. A este caso, podemos citar o Imperador Juliano, o apostata. Cuja história fora marcada por uma grande tragédia protagonizada por um pretenso cristão. “Criança de seis anos, narra Bento XVI, Juliano assistira ao assassinato de seu pai, de seu irmão e de outros familiares pelas guardas do palácio imperial; essa brutalidade atribuiu-a ele ─ com razão ou sem ela ─ ao Imperador Constâncio, que se fazia passar por um grande cristão. Em consequência disso, a fé cristã acabou desacreditada a seus olhos, uma vez por todas”. 


A quantos a fé cristã não está desacreditada em razão da má conduta de seus membros? Como pedir à uma vítima de um membro desonesto da Igreja que confie no seu julgamento e na sua justiça? Em geral, tais pessoas, se veem entulhadas de traumas e sentimentos confusos e desordenados que fazem repelir de imediato qualquer referência à religião, tornando-se desta forma, ao mesmo tempo, apostata e vitima de outro apostata que, teoricamente, não repudiou publicamente a fé, mas o fez com seus atos. Há, portanto, apostatas públicos e outros velados, cujos atos não escondem o estado de apostasia em que se confinaram. Por esta razão, a apostasia não é um fenómeno a que todos estamos vulneráveis. Com o descuido de nossa vida espiritual, amanhã, podemos nos tornar o apostata que ontem condenávamos. Cabe não confiar demasiadamente em nossa força, pois ninguém sabe, além de Deus, até quando perseverará no caminho do bem, por isso cabe rezar e implorar a Deus diariamente a graça da perseverança final. Sem esta graça, ninguém permaneceria nem um minuto no caminho do bem.




Fonte: http://sociedadelegiaoeucaristica.blogspot.com/2019/07/o-perigo-da-apostasia.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+LegioEucarstica+%28Legi%C3%A3o+Eucar%C3%ADstica+%29

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