Uma vez reconhecendo Jesus como Filho, obrigatoriamente deve-se reconhecer sua Mãe!


A verdadeira devoção à Santíssima Virgem consiste em dedicar-se e entregar-se ao Reino de Deus de forma total e sem descanso, tendo sempre presente em todas as suas ações, o exemplo de vida e fé dela; assim agradaremos plenamente ao Senhor que “a escolheu, entre todas preferida”.


Repito, a Virgem Maria, mesmo que alguns não queiram, ocupa um lugar privilegiado na Criação, começando na sua Concepção, terminando na Assunção, não por causa de seus méritos, pois mérito nenhum a humanidade dela teria, mas pelos méritos de Jesus Cristo, o Puro, o Santo, o Imaculado que não deveria nascer de uma pessoa infectada com o germe do pecado.


A eleição de Nossa Senhora antes da fundação dos tempos está atestada na Sagrada Escritura – “Antes da fundação do mundo, fomos eleitos nele” (Ef 1, 4-12): Por Jesus ser quem é, Deus o Pai pôde eleger para si, Maria para ser mãe de seu Filho e também um a povo antes mesmo da criação. Com base nos méritos de Cristo existentes na eternidade, a Trindade glorificará a si mesma pela redenção de Maria, já na sua Conceição ou nascimento.


O próprio evangelista João, inspirado por Deus afirmou em sua carta: “Deus é luz, nele não há trevas” (Jo 1, 1). A luz é uma metáfora comum na Sagrada Escritura. Em Provérbios 4,18 simboliza a justiça como a “luz da aurora”; São Paulo aos Filipenses 2,15 compara os filhos de Deus como a luz, pois devem ser “puros e irrepreensíveis” como as estrelas brilhantes no universo.


Já Nosso Senhor usou a luz como uma imagem de boas obras: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai que está nos céus” (cf. Mt 5,16). O fato de que Deus é luz estabelece um contraste natural com a escuridão do pecado, sendo assim, não poderia ser gerado na carne corrompida pelas trevas. Se a luz é uma metáfora para a justiça e bondade, então a escuridão significa o mal e o pecado. A luz faz parte da essência de Deus, assim como o amor (1Jo 4, 8). Eis a mensagem: Deus é completamente, absolutamente e incondicionalmente Santo, sem qualquer mistura com o pecado, qualquer mancha de iniquidade ou qualquer indício de injustiça. Eis a grandiosidade de Deus em Maria! Aqui, todos os que têm fé no Deus dos cristãos se curvam diante deste fato extraordinário.

A importância do culto mariano não nasce de uma vontade humana, é parte da herança deixada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Para os cristãos, o ponto principal de referência é Jesus e sua palavra, pois fazem parte do mistério que não é teorético ou palavra humana, mas é uma realidade que supera toda a Igreja.


Os irmãos separados fazem uma acusação sem fundamento, afirmando que “o culto mariano se baseia em uma ‘tradição’ que não parte dos Evangelhos”, porém, a Tradição por meio da Sagrada Escritura nos revela que a pessoa de Maria é inserida por escolha e vontade de Deus como realidade, na estrutura e na harmonia da fé na história da salvação dentro do Evangelho.


Não é porque Paulo não fala de Maria diretamente, ele como doutor da fé, que Ela deve ser esquecida por nós hoje. No entanto, Paulo faz referência a Maria em um texto que fundamenta todo o desenvolvimento do pensamento sobre Nossa Senhora e a Mariologia na Igreja (Gal 4, 4-6). É um texto que nos faz entrar dentro da profundidade do mistério de Deus, ainda que de uma forma meio contida. Entrar no mistério significa que “ser discípulo da Palavra”, não nos apossamos ou possuímos o Mistério, mas entramos na realidade enquanto crente, recebendo aquilo que Deus quer nos dar por meio desta mesma palavra.

Estas questões são bem simples, mas ao longo do tempo, em muitos lugares perdemos esta sensibilidade dentro do campo da fé. Um exemplo podemos trazer aqui está no próprio culto cristão, nele celebramos o mistério da nossa fé! Em determinadas comunidades, infelizmente esta visão de culto está eclipsada, sendo ele transformado mais em um encontro de “desconhecidos” em busca de ações divinas que satisfaçam as suas carências afetivas, do que um encontro com o Mistério. Isto fere a Palavra porque a modificamos, obrigando que nossas palavras humanas, cubram as palavras e as ações de Deus dentro da liturgia.



Côn. José Wilson Fabrício da Silva, crl

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